1. Contexto e objetivo
A Pesquisa Setorial de Cargos e Salários da Indústria de Colchões, realizada pela ABICOL, teve como objetivo mapear a realidade salarial, as práticas de gestão de pessoas e os principais desafios do mercado de trabalho no setor colchoeiro brasileiro, a partir de dados primários fornecidos diretamente pelas empresas fabricantes.
A pesquisa oferece uma leitura fiel da realidade do setor, superando as limitações das estatísticas gerais da indústria de transformação.
Atenção: A pesquisa completa e detalhada é restrita às empresas participantes.
2. Perfil das empresas participantes
- Respondentes: fabricantes de colchões
- Abrangência regional: Sul, Sudeste e Nordeste
- Porte das empresas: pequenas e médias indústrias
- Número de colaboradores CLT: entre aproximadamente 50 e 150 por empresa
O conjunto de respostas reflete operações industriais ativas, formais e representativas da cadeia produtiva de colchões no Brasil.
3. Perfil da força de trabalho
- Faixa etária predominante: entre 26 e 55 anos
- Participação feminina: variável entre as empresas, com percentuais entre 10% e 48% nas áreas operacionais e técnicas
- Turnos de trabalho: predominância de 1 turno, com exceções em plantas de maior porte
Os dados indicam envelhecimento gradual da mão de obra operacional em parte do setor, associado à dificuldade de reposição de profissionais especializados.
4. Práticas de gestão de pessoas
A pesquisa evidencia um baixo nível de formalização das políticas de RH:
- Predominância de empresas sem plano formal de cargos e salários
- Avaliação de desempenho, em grande parte, não estruturada
- Ausência de políticas de remuneração variável na maioria das empresas
- Programas de capacitação pontuais ou inexistentes
Esse cenário contribui diretamente para dificuldades de retenção, sucessão e desenvolvimento de talentos.
5. Resultados salariais – principais achados
5.1 Cargos operacionais básicos
- Salários concentrados próximos ao piso da categoria
- Faixa predominante: R$ 1.550 a R$ 1.950
- Baixa dificuldade de contratação, porém maior exposição à rotatividade
5.2 Cargos operacionais especializados
- Funções como colchoeiro, cortador, colador e costureiro industrial apresentam:
- Salários iniciais mais elevados
- Tetos que podem superar R$ 3.700, conforme região e porte
- Grau de dificuldade de contratação médio a alto
A escassez de mão de obra qualificada já impacta diretamente os salários praticados.
5.3 Cargos técnicos e manutenção
- Eletricistas e mecânicos de manutenção:
- Salários iniciais acima da média operacional
- Tetos superiores a R$ 5.000
- São apontados como funções críticas para a continuidade produtiva
5.4 Liderança industrial
- Supervisores e encarregados: salários entre R$ 2.200 e R$ 4.600
- Coordenadores de produção: grande dispersão salarial, com tetos elevados em operações mais complexas
- Gerentes de produção: faixas compatíveis com a responsabilidade estratégica do cargo
A liderança industrial aparece como fator-chave de diferenciação salarial e de desempenho operacional.
6. Rotatividade e desafios estruturais
A rotatividade anual varia de forma significativa entre as empresas, indo de índices muito baixos a patamares críticos, superiores a 60% em casos específicos.
Principais desafios apontados:
- Atrair mão de obra qualificada
- Reter talentos
- Treinar novos colaboradores
- Atualizar tabelas salariais
- Implantar plano de cargos e salários
- Melhorar o clima organizacional e lidar com questões de saúde mental
7. Conclusões estratégicas
A Pesquisa ABICOL permite concluir que:
- O setor colchoeiro não pode ser caracterizado como de baixa remuneração, especialmente em funções especializadas.
- O maior gargalo do setor não é apenas salarial, mas estrutural:
- qualificação,
- gestão de pessoas,
- clima organizacional.
- A escassez de mão de obra especializada tende a pressionar salários e custos operacionais.
- Há uma oportunidade clara de atuação coletiva, com liderança da ABICOL, para:
- programas de capacitação setorial,
- modelos de referência de cargos e salários,
- disseminação de boas práticas de gestão.
Vol. 10 – Edição 081 – 15/12/2025
