Os resultados da pesquisa realizada pela ABICOL mostram um setor dividido. Enquanto 44% das empresas acreditam que 2026 será melhor que 2025, 33% esperam um ano pior e 22% não enxergam mudanças significativas.

À primeira vista, os números podem parecer contraditórios. Afinal, por que parte das empresas espera crescer enquanto tantas demonstram preocupação com o mercado?
A resposta está no cenário econômico.
O colchão é um bem durável. Sua compra normalmente não acontece por impulso. Assim como móveis, eletrodomésticos e automóveis, a decisão costuma depender da confiança das famílias, da disponibilidade de crédito e da percepção de segurança financeira.
E é justamente aí que está o paradoxo de 2026.

De um lado, indicadores recentes mostram recuperação da intenção de consumo das famílias, que atingiu o maior nível em mais de uma década, impulsionada pela melhora da renda e do mercado de trabalho. O interesse pela compra de bens duráveis também apresentou avanço relevante nos últimos meses.
De outro lado, os juros continuam elevados, o endividamento das famílias permanece alto e diversas análises do varejo apontam desaceleração ou crescimento muito modesto para segmentos ligados a bens duráveis. Em outras palavras: existe vontade de consumir, mas ainda há dificuldade para transformar essa intenção em compra efetiva.
Esse contexto ajuda a explicar os resultados da pesquisa.
O levantamento da ABICOL não retrata um setor em crise. Mas também não mostra um mercado confortável.

O principal desafio apontado pelas empresas foi o aumento dos custos operacionais (67% dos respondentes). Logo em seguida aparecem concorrência intensa, concorrência desleal, dificuldade para contratação de mão de obra qualificada e oscilações da demanda, todos com 44% das menções.
Outro aspecto importante é a diferença de percepção entre fabricantes e fornecedores.
Os fabricantes demonstram preocupação maior com vendas, rentabilidade e comportamento do consumidor. Já os fornecedores enxergam riscos mais estruturais, relacionados à competitividade da cadeia produtiva, ao ambiente regulatório e à concorrência internacional.
Mas existe um ponto de convergência.
As respostas sugerem que o maior desafio do setor não é apenas vender mais.
É competir em um ambiente onde custos seguem elevados, a demanda oscila, o planejamento se torna mais difícil e cresce a percepção de concorrência desleal.

Talvez essa seja a principal conclusão do levantamento: o mercado brasileiro de colchões continua ativo e com oportunidades, mas o crescimento está cada vez menos relacionado ao comportamento geral da economia e cada vez mais à capacidade de cada empresa de ganhar eficiência, diferenciar-se e competir em um ambiente mais complexo.
Por LUCIANO RADUAN DIAS, presidente da ABICOL.
Link do material: Panorama do Setor Colchoeiro – Expectaivas para o 2º semestre de 2026.
Atualizado em 16/06/2026.

