Abicol Connection #9 – ESG é gestão de risco e planejamento estratégico


A consultora Priscila Bolcchi explica como práticas ambientais, sociais e de governança podem ajudar empresas a reduzir vulnerabilidades, melhorar processos e fortalecer sua posição no mercado

Sustentabilidade e ESG deixaram de ser apenas temas relacionados à imagem institucional para ocupar um espaço cada vez mais relevante na gestão das empresas. No novo episódio do ABICOL Connection, a consultora ambiental e de sustentabilidade Priscila Bolcchi conversa com Adriana Pierini sobre como os critérios ambientais, sociais e de governança podem ser incorporados ao planejamento estratégico das organizações e contribuir para a redução de riscos.

Com quase 30 anos de atuação na área, Priscila explica que o interesse das empresas pelo tema tem crescido tanto por uma mudança de consciência quanto pelas exigências do próprio mercado. Clientes internacionais, cadeias de fornecimento, critérios relacionados às mudanças climáticas e demandas por comprovação de práticas sustentáveis estão entre os fatores que vêm acelerando esse movimento.

Durante a conversa, a especialista chama atenção para uma confusão ainda frequente: ESG e sustentabilidade não são sinônimos. Segundo ela, o ESG está inserido em uma visão mais ampla de sustentabilidade e está diretamente relacionado à forma como a empresa identifica e administra riscos ambientais, sociais e de governança.

Essa abordagem pode ter reflexos bastante concretos no dia a dia dos negócios. Priscila apresenta exemplos de empresas que, ao acompanharem indicadores, conseguiram identificar desperdícios de recursos, inconsistências em contas e riscos relacionados a fornecedores estratégicos. Em um dos casos relatados, a análise revelou que um fornecedor essencial não possuía licença ambiental e que a empresa não tinha alternativa caso ele interrompesse suas atividades. A solução foi ampliar e qualificar a base de fornecedores, reduzindo a vulnerabilidade da operação.

Outro ponto abordado é o greenwashing, prática em que uma organização comunica compromissos ou benefícios socioambientais que não consegue comprovar. Para Priscila, tudo aquilo que é divulgado precisa ter respaldo na realidade da empresa. Além do risco reputacional, declarações sem fundamento podem gerar consequências financeiras e jurídicas.

O episódio também mostra que a implantação de uma estratégia ESG não deve partir simplesmente da reprodução de indicadores adotados por outras organizações. Cada empresa precisa identificar quais temas são realmente relevantes para sua atividade, seu estágio de maturidade e seus riscos. Esse processo, conhecido como análise de materialidade, ajuda a definir prioridades e evitar investimentos em iniciativas que, naquele momento, pouco contribuem para a realidade do negócio.

Para a consultora, esse movimento não está restrito às grandes corporações. Empresas de diferentes portes podem incorporar práticas sustentáveis de acordo com sua própria realidade. O ponto central está no planejamento e na capacidade de identificar onde estão os riscos, oportunidades e prioridades do negócio.

A grande palavra-chave do ESG é planejamento, planejamento estratégico.

O novo episódio do ABICOL Connection amplia o debate sobre sustentabilidade no setor de colchões e mostra, a partir de exemplos práticos, como o ESG pode sair do campo conceitual e fazer parte efetivamente da gestão empresarial.