ABICOL Connection #02 – Comunicação estratégica ganha peso na indústria de colchões


Em entrevista ao ABICOL Connection, Inalva Corsi analisa desafios do setor e destaca o papel do Anuário do Colchão na construção de informação especializada para a cadeia

A comunicação deixou de ocupar um papel apenas operacional para se tornar parte da estratégia das empresas do setor colchoeiro. Em um mercado marcado pela evolução tecnológica dos produtos, pela multiplicação dos canais de contato e por consumidores com acesso crescente à informação, comunicar com clareza, constância e adequação a cada público passou a ser um desafio diretamente relacionado ao posicionamento das marcas.

Esse processo também pode ser observado na trajetória do Anuário do Colchão, publicação especializada que chega à 12ª edição e foi criada a partir da percepção de que o segmento precisava de uma linguagem própria, mais direcionada às características da indústria e do varejo de colchões. O projeto foi um dos temas da participação da jornalista Inalva Corsi no ABICOL Connection, em conversa com Adriana Pierini sobre comunicação, mídia especializada e os desafios de fazer a informação circular por toda a cadeia.

Com mais de três décadas de atuação no jornalismo especializado, Inalva acompanha o setor colchoeiro desde o início de sua carreira. Durante a entrevista, ela avaliou que, apesar dos avanços, a comunicação ainda precisa ocupar uma posição mais estratégica dentro das empresas e estar integrada às áreas responsáveis pelo desenvolvimento, comercial, produção e posicionamento de marca.

Segundo ela, a ampliação das plataformas tornou o processo de comunicação mais complexo. Estar presente nas redes sociais é importante, mas não substitui a necessidade de identificar o público, escolher o canal adequado e adaptar a linguagem. Para Inalva, redes sociais, mídia especializada e comunicação institucional cumprem funções diferentes e, por isso, não devem receber exatamente a mesma mensagem.

Essa diferenciação ganha ainda mais importância em um setor no qual fabricantes precisam conversar simultaneamente com fornecedores, lojistas, vendedores e consumidores finais.

Informação precisa chegar ao ponto de venda

Um dos pontos destacados por Inalva é a necessidade de fazer a informação percorrer toda a cadeia. Segundo ela, atributos, tecnologias e diferenciais desenvolvidos pela indústria podem perder valor quando não são compreendidos por quem apresenta o produto ao consumidor.

A jornalista chama atenção especialmente para o treinamento e para a comunicação com o varejo. Para ela, materiais promocionais, etiquetas, demonstrações de produto, relacionamento frequente e capacitação dos vendedores devem funcionar de forma integrada.

“Não tem produção na indústria se não tiver venda na loja.”

Na avaliação de Inalva, quando a comunicação entre indústria e varejo é interrompida, parte da inovação presente no colchão também deixa de chegar ao consumidor. “Perde muito dos atributos, perde muito da inovação do colchão pela falta da comunicação com clareza”, afirmou. Ela considera o treinamento no ponto de venda uma das formas de comunicação que precisam receber maior atenção do setor.

Cada público precisa de um argumento diferente

Outro desafio está na tradução das características técnicas dos produtos. Molas, espumas, tecidos e demais componentes podem ser relevantes para explicar a construção de um colchão, mas a comunicação precisa mostrar o que esses atributos significam para quem está recebendo a mensagem.

Inalva exemplifica que, para o lojista, aspectos como giro, rentabilidade e agilidade de entrega podem ser decisivos. Para o consumidor, a abordagem precisa responder a outra pergunta: qual benefício aquele produto efetivamente entrega?

“É preciso saber que, para cada público, os argumentos diferem e a gente precisa usar os argumentos corretos para cada público”, explicou.

“A gente ainda não comunica com a clareza que precisa comunicar, com a constância que precisa comunicar.”

A necessidade de segmentar a mensagem também reforça, segundo Inalva, a importância de tratar a comunicação como atividade permanente. Ela defende a participação de profissionais de diferentes áreas da empresa no processo, permitindo que informações técnicas, comerciais, regulatórias e institucionais sejam consideradas antes que uma mensagem chegue ao mercado.

Anuário do Colchão acompanha evolução do setor

O próprio desenvolvimento do Anuário do Colchão reflete essa busca por uma comunicação cada vez mais especializada. Segundo Inalva, o projeto nasceu da percepção de que o colchão precisava ganhar um espaço próprio dentro da comunicação voltada ao setor moveleiro, com foco e linguagem específicos para fabricantes e varejistas.

Ao longo dos anos, a publicação incorporou um conselho editorial formado por diferentes profissionais da cadeia e passou a experimentar novos formatos e recursos. Já foram utilizadas diferentes capas em uma mesma edição, animações na versão digital e recursos de áudio, ampliando as possibilidades de acesso ao conteúdo.

Para Inalva, a participação de diferentes atores do mercado contribui para construir uma visão mais ampla do segmento. A jornalista avalia que a consolidação desse tipo de informação especializada também ajudou a apresentar de forma mais estruturada a dimensão da indústria brasileira de colchões.

Segundo ela, esse posicionamento foi construído coletivamente, envolvendo empresas, entidades, profissionais e diferentes elos da cadeia.

Ao projetar os próximos anos, Inalva acredita que novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial, continuarão modificando formatos e canais. Mas ressalta que credibilidade, responsabilidade, proximidade e informação qualificada seguirão como elementos centrais da comunicação.

O episódio completo do ABICOL Connection com Inalva Corsi aprofunda a discussão sobre comunicação, mídia especializada, o Anuário do Colchão e os desafios de posicionamento da indústria. 

As opiniões, análises e experiências apresentadas pelos convidados ao longo do episódio são de sua exclusiva responsabilidade e não refletem, necessariamente, o posicionamento institucional da ABICOL.