ABICOL Connection #01 – Troca entre gerações ajuda a preparar a indústria de colchões para o futuro
Experiência acumulada, formação de novos profissionais e abertura para novas tecnologias estiveram no centro do debate do ABICOL Connection sobre gerações

A convivência entre diferentes gerações dentro das empresas não é apenas uma questão de idade. Para a indústria de colchões, ela passa pela transferência de conhecimento, formação de novos profissionais, sucessão e capacidade de incorporar novas tecnologias sem perder a experiência construída ao longo dos anos.
O tema voltou ao debate no ABICOL Connection, em conversa conduzida por Adriana Pierini com Dalrone Rodrigues e Lucas Temponi Silva Machado, da Colchões Polar. De um lado, um profissional com 25 anos de experiência no mercado de trabalho. Do outro, um jovem que começa a construir sua trajetória dentro da empresa da família, passando pela área de compras, participando de reuniões e conhecendo diferentes etapas da operação.
O assunto já faz parte da agenda da indústria colchoeira. Em 2023, o Encontro Nacional das Indústrias de Colchões promovido pela ABICOL teve como tema central “Passado, Presente e Futuro: Um Encontro de Gerações” e reuniu empresários e sucessores para discutir os desafios da continuidade das empresas familiares.
A conversa com Dalrone e Lucas acrescenta uma dimensão prática a esse debate: novas gerações precisam encontrar espaço nas empresas, mas sua formação exige conhecimento do negócio, responsabilidade e tempo. Em contrapartida, gestores mais experientes também precisam estar dispostos a ouvir, ensinar e rever processos.
Formação começa antes da liderança
Na Colchões Polar, a entrada de Lucas Temponi na empresa não começou por uma posição de gestão. Ele conta que, desde mais novo, frequentava a fábrica, participava de atividades no chão de fábrica e acompanhava, em casa, conversas sobre momentos positivos e dificuldades enfrentadas pelo negócio.
Quando passou a atuar formalmente na empresa, a responsabilidade ganhou outra dimensão. No podcast, Lucas destaca que o contato direto com a operação ajudou a compreender não apenas os processos, mas também o peso das decisões e a responsabilidade de uma indústria sobre seus colaboradores.
“Não pode tentar adiantar processo, adiantar salário, querer já estar no topo do topo, sem passar pelo chão da fábrica.” — Lucas Temponi Silva Machado
A fala traz um ponto relevante para empresas que começam a preparar novas lideranças: a sucessão não se resume à transferência de um cargo. Conhecer a operação, entender pessoas, acompanhar dificuldades e assumir responsabilidades também fazem parte dessa preparação.
Dalrone aplica essa lógica na mentoria dos jovens que passam por seu setor. Segundo ele, não existe uma fórmula única. Há profissionais que respondem melhor a desafios e outros que se desenvolvem a partir de rotinas, acompanhamento e atenção aos detalhes.
No caso de Lucas, a orientação foi aprender o que já existe sem simplesmente reproduzi-lo. A expectativa é que o jovem conheça a rotina e, ao mesmo tempo, identifique possibilidades de melhoria.
Quando a experiência encontra novas ferramentas
A contribuição de uma nova geração também aparece na capacidade de questionar processos e incorporar ferramentas que até pouco tempo não faziam parte da rotina das indústrias.
Lucas conta que procura levar para a empresa estudos, tecnologias e aplicações de inteligência artificial. O objetivo, segundo ele, é encontrar soluções novas e identificar oportunidades de inovação dentro da operação.
Dalrone afirma que esse movimento já aparece na rotina do setor. Ao observar as atividades executadas pela equipe, Lucas passou a buscar formas de facilitar tarefas e propor melhorias combinando aquilo que aprende dentro da empresa com recursos tecnológicos.
“Em pouco tempo de empresa, ele juntou ideias dele, aplicadas aos recursos da inteligência artificial e já está propondo melhorias para o setor.” — Dalrone Rodrigues
Para a indústria de colchões, essa troca tende a ganhar importância à medida que novos materiais, processos produtivos, vendas digitais, automação e inteligência artificial passam a fazer parte do ambiente competitivo.
O episódio também chama atenção para o risco de generalizações sobre faixas etárias. Dalrone observa que cada geração costuma enxergar a seguinte de maneira diferente e defende que gestores conheçam os profissionais individualmente, em vez de partir de rótulos.
Na visão de Dalrone, além da disposição para essa troca, a formação de novos profissionais exige paciência. Já Lucas destaca a importância de buscar conhecimento e acompanhar novas tecnologias.
Em uma indústria que precisa preservar conhecimento técnico e, ao mesmo tempo, acompanhar mudanças cada vez mais rápidas, aproximar gerações pode contribuir para a continuidade das empresas, o desenvolvimento de profissionais e a incorporação de novas formas de trabalho.
O episódio completo do ABICOL Connection, com Adriana Pierini, Dalrone Rodrigues e Lucas Temponi Silva Machado, está disponível abaixo.
As opiniões, análises e experiências apresentadas pelos convidados ao longo do episódio são de sua exclusiva responsabilidade e não refletem, necessariamente, o posicionamento institucional da ABICOL.
